quinta-feira, 23 de junho de 2011

Treinador de Futsal - Extensão Universitaria


A Universidade Gama Filho é líder e referência nacional em realização de cursos de Futsal em Pós-graduação e na Extensão Universitária.
Em São Paulo nos dias 16, 17 e 18/07/2011 será realizado o Curso de Treinador de Futsal.
A Federação Paulista de Futsal é grande parceira da Gama Filho na realização do Curso de Treinador de Futsal.
Camisetas do Sonho Olímpico serão sorteadas e a bola oficial do curso será a Bola KAGIVA.
Venha para a Gama Filho marcar um “golaço” na sua formação profission

segunda-feira, 20 de junho de 2011

"ESTADO DE JOGO"


Bom dia,
Mais uma série de textos interessantes encontrada em sites ou blogs relacionados ao treinar do futebol/futsal. Esse texto fou publicado na UNIVERSIDADE DO FUTEBOL. Escrito por EDUARDO BARROS, descreve muitas vezes a realidade do que acontece no treinamento, eu me identifiquei muito com esse texto pois ocorre muitas vezes no meu trabalho. Leiam e vejam o quanto é importante o "ESTADO DE JOGO"!


A complexa missão de alcançar e manter a suspensão momentânea da realidade em uma partida de futebol
Numa determinada sessão de treino, é significativamente difícil ter todos os atletas focados, comprometidos, cientes dos objetivos do treino na aplicação de um determinado jogo, entendendo suas regras, compreendendo sua lógica e agindo em função do seu cumprimento.
A ação pedagógica torna-se ainda mais trabalhosa se for considerado um ambiente em que pais, mídia, diversos treinadores e os próprios atletas afirmam que os jogadores de futebol já nascem prontos e também a convivência diária com jovens promissores que, certas vezes, tomam como exemplo alguns comportamentos de atletas pouco profissionais.
Porém, como mediador de um processo de evolução do “jogar” da equipe e como agente formador (e transformador), é função do treinador extrair o melhor de cada um de seus atletas e facilitar, por meio de sua liderança, abordagem, intervenção, comportamento e didática, o acesso ao “estado de jogo”, que é um grande parâmetro de qualidade do treino para quem ensina com Jogos.
O “estado de jogo”, definido pelo Dr. Alcides Scaglia, é caracterizado pela suspensão momentânea da realidade, onde há predomínio da subjetividade em detrimento da objetividade e que o seu ambiente (contexto) irá definir o que é ou não jogo.
No plano coletivo, ao iniciar um jogo da sessão de treinamento, é objetivo do treinador que, ao soar o apito inicial, toda a equipe rapidamente alcance referida condição. No entanto, quem já utiliza o jogo como metodologia de ensino perceberá que tal objetivo nem sempre é alcançado em todos os atletas.
Nem sempre é alcançado, pois no plano individual, cada elemento (jogador) do jogo encontra-se com foco, comprometimento e nível de compreensão da atividade distintos. Equalizar estes três fatores é a missão do treinador que pode ter início a partir dos questionamentos abaixo:
É possível entrar em “estado de jogo” preocupado com problemas particulares?




É possível entrar em “estado de jogo” insatisfeito com a perda da condição de titular?




É possível entrar em “estado de jogo” o atleta que não gosta de treinar?




É possível entrar em “estado de jogo” se, minutos antes da atividade, ao invés de discutir com a equipe o comportamento para o jogo em questão, a conversa referia-se ao lazer do último final de semana?




É possível entrar em “estado de jogo” se, minutos antes da atividade, ao invés de discutir com a equipe o comportamento para o jogo em questão, o atleta fica chutando bolas para o gol?




É possível entrar em “estado de jogo” se o treino aplicado encontra-se acima da zona proximal de desenvolvimento da equipe?




É possível entrar em “estado de jogo” se o treino aplicado encontra-se abaixo da zona proximal de desenvolvimento da equipe?




É possível entrar em “estado de jogo” aplicando exatamente o mesmo treinamento por um longo período de tempo?




É possível entrar em “estado de jogo” aplicando um treino com quantidade excessiva de regras sem devida progressão complexa?




É possível manter-se em “estado de jogo” se, a todo instante, o treinador para o treino para suas abordagens?




É possível manter-se em “estado de jogo” se o treinador deixa seguir o lance em que a bola saiu do campo de jogo somente alguns centímetros, afinal a atividade “é só pra treinar”?




É possível manter-se em “estado de jogo” quando a diferença de pontos no placar fica considerável?




Para cada questionamento, existe a melhor solução a ser encontrada pelo treinador. Para equipes diferentes, soluções diferentes. Para jogadores diferentes, respostas também diferentes. Logo, a “fórmula mágica” para o acesso ao “estado de jogo” está longe de ser encontrada em livros, teses ou dissertações.
Nestas fontes, porém, podem ser encontrados os embasamentos científicos para cada ação do treinador que contribuem para atingir o mais rápido possível o “estado de jogo” e sua manutenção até o apito final. O que fazer em cada questionamento parece simples, como podem ser lidos nos exemplos abaixo:




Atletas com problemas particulares (financeiros, familiares, etc.) necessitam de abordagens para que consigam esquecer, ao menos momentaneamente, o mundo real para alcançarem o mundo do jogo.




O foco na insatisfação, e não no jogo, com certeza atrapalhará o acesso ao “estado de jogo”.




Quem não gosta de treinar (jogar) não deve ser atleta de futebol, logo, não deve fazer parte de um elenco!




No treinamento, criar procedimentos em que a concentração esteja nas atividades do dia e que quaisquer ações/conversas paralelas não cabem, é missão do treinador.




Chutar bolas para o gol quando o treino vai iniciar é uma das atividades que não cabe.




A leitura minuciosa da equipe e jogadores permitirá ao treinador a criação de jogos adequados ao nível de desenvolvimento dos mesmos.




Com a evolução da equipe, os problemas se modificam, logo, os treinos também devem se modificar.




Demorar muito tempo para compreender as regras pode comprometer o tempo de entendimento do que fazer para ganhar o jogo.




Saber quando parar o jogo é indispensável para a manutenção da suspensão da realidade.




Se a bola saiu, mesmo que alguns centímetros, ela saiu. Não estrague o jogo!




Estabelecer a cultura de não aceitar derrotas, no mais simples jogo, faz com que o “estado de jogo” termine somente no apito final.
Agora, o COMO fazer, é o desafio de cada treinador a partir da já mencionadas liderança, abordagem, intervenção, comportamento e didática.
Então, no mundo ideal, em que todos os atletas estiverem em perfeito “estado de jogo”, que é o objetivo do treinador, os problemas estarão resolvidos?
É claro que não! O “estado de jogo” só faz sentido se as devidas respostas de cada jogador para cada problema do jogo estiverem alinhadas ao modelo de jogo da equipe e a ideia de jogo do treinador.

Parabens para o Profº Eduardo Barros pelo artigo!

Obrigado e até a próxima!










terça-feira, 7 de junho de 2011

TECNICISMO NÃO ENSINA A TÉCNICA

Boa tarde!

Antes da mais nada, gostaria de deixar claro que o texto abaixo é de um grande amigo, excepcional educador fisico e muito inteligente na criação de exercicios para o futsal! O texto abaixo é do  Profº Vagner Cardoso, onde tive a opotunidade de ser parceiro de turma na pós graduação de futebol/futsal pela Universidade Gama Filho e desde lá a nossa amizade só cresceu. Fizemos alguns cursos juntos, trocamos idéias, fazemos lá nossas piadas sobre futebol e coube que nós nos tornamos grandes amigos. 
Estava lendo textos em alguns blogs na qual eu sigo e achei esse, muito interessante dizendo que a metodologia técniscista não ensina a técnica. O Profº Ênio muito inteligente que é, postou esse texto escrito pelo meu amigo e fiz questão de postar no meu blog, pois é algo que me interessa muito! Espero que esses dois grandes profissionais não fiquem chateados comigo por ter copiado e colado aqui. 
Obrigado Profº Vagner Cardoso e Profº Ênio!
Parabens pelo texto!


TECNICISMO NÃO ENSINA A TÉCNICA

VAGNER CARDOSO


Quando nos reportamos à iniciação seja de qualquer modalidade, nos reportamos para ambiente no qual se observam muitos casos de aulas baseadas nos princípios de ensino tecnicistas.Nelas, os elementos técnicos são o principal objetivo da aula, pois esse tipo de abordagem de aulas faz acreditar que execução de tarefas, já determinadas, explicadas e organizadas anteriormente pelo professor possibilitam ao aluno a assimilação daquele determinado gesto técnico, crendo que a fragmentação do jogo em elementos técnicos ensinados de maneira isolada proporciona ao aluno a aprendizagem do jogo.Explicado o que se entende sobre abordagem tecnicista, destaco àqueles adeptos dessa metodologia de trabalho que ela está errada, principalmente no que se diz respeito de sua compreensão de “o que é técnica”, ou seja, ela está equivocada em sua essência.Dentro da idéia dos jogos coletivos, Garganta (1998, p.22), apoiado em Mauss (1980), destaca que a técnica esta relacionada com “as diferentes formas de utilização do corpo com os constrangimentos impostos pelas características das respectivas modalidades desportivas”.Observando a citação à cima, deixa-se claro que técnica está associada a um constrangimento imposto pela modalidade em questão. Mas o que significa esse constrangimento citado por Garganta (1998)?Em busca dessa resposta, imaginemos a seguinte situação hipotética: um aprendiz de sapateiro que está começando a fazer seus primeiros sapatos inicia sua empreitada. Dia após dia, o ato de fazer sapatos vai possibilitando a ele desenvolver novas e melhores formas para fazer seu sapato com maior rapidez e precisão. Ele, no entanto, experimenta formas e mais formas de fazer seus sapatos e vai aos poucos apreendendo as formas mais eficientes e eficazes, pois depois de muitas formas tentadas ele tende a encontrar um melhor modo para fazer seu sapato. Após alguns anos de labuta, ele desenvolve sua própria técnica de fazer sapatos.Essa pequena história, quando levada para a idéia de ensino, pode propiciar a seguinte reflexão: “Então, para ele se tornar um bom sapateiro ele teve que repetir muitas vezes as ações, aperfeiçoando sua técnica através dessa repetição.”Esse tipo de reflexão, apesar de parecer lógica e capaz de sustentar a idéia do ensino desportivo através do tecnicismo é na realidade um grande engodo que acaba caracterizando a, por mim chamada, “miopia do tecnicismo”.Dessa forma, visando corrigir a imagem distorcida por essa “miopia”, sugiro que se reflita assim: um aprendiz de sapateiro que aprende apenas a pregar os pregos da sola do sapato, se tornará um excelente… pregador de solas de sapato. Ele não saberá, a não ser que vivencie a montagem do sapato, montar um sapato.Ensinar um aluno a jogar futebol através de treinos de finalização onde ele receba um passe, faz zigue zage, salte por um cone e chuta a bola em um determinado alvo no gol, tornará este aluno um excelente… finalizador de bolas, saltando por cima de cones visando acertar um determinado alvo no gol. Agora, um bom sapateiro só tornou-se um bom sapateiro não porque repetiu isoladamente diversas etapas da montagem dos sapatos, mas sim porque montou muitos sapatos e desenvolveu formas de solucionar os diversos problemas que esse processo lhe incumbia.Dessa forma, um aluno só poderá jogar bem o jogo se ele vivenciar as ações técnicas em atividades que simulem ou que possibilitem a ele vivenciar o contexto do jogo de futebol, a final, a técnica não deve ter contexto com o jogo?Então pra que ensinar técnicas isoladas de uma modalidade a alguém, quando se quer que seu aluno jogue bem a modalidade ensinada? Então porque ensinar um aprendiz a sapateiro apenas a pregar a sola do sapato você quer ensiná-lo a ser um sapateiro?
Sob essa nova perspectiva, torna-se possível observar os problemas interpretativos que o modelo de ensino tecnicista possui quanto ao ensino da técnica e que muitas vezes nos são escondidos por uma má interpretação de exemplos como esses.
A miopia do tecnicismo até exatamente aí? A metodologia não compreende que a única forma de a técnica ser aperfeiçoada e abordada é através de situações de jogo. Pois vivenciando essas situações é possível adquirir-se formas de responder às necessidades do jogo, através das respostas corporais adequadas ao contexto do jogo.
O tecnicismo não percebe que a técnica só existe como resposta a um problema que é apresentado no contexto do jogo, assim, ensinar pelo tecnicismo é errado!!! – afirmo novamente e com muitas exclamações – pois esse tipo de abordagem não apresenta problemas a serem resolvidos a partir de soluções táticas e através de execuções técnicas, mas apresenta aos alunos soluções que devem ser repetidas através de tarefas, ou seja, primando pela mera execução.
Conclusão: Se pensarmos que técnica está associada à resposta de problemas vivenciados e apresentados no ato de jogar, verifica-se que o tecnicismo não ensina a técnica, já que não se preocupa em oferecer problemas em suas atividades.

Grande ironia essa, não? O tecnicismo não saber ensinar a técnica do jogo!

Espero que tenham gostado e até a próxima!