terça-feira, 21 de setembro de 2010

O que tem a ver Mano Menezes com Juscelino Kubitchek?

Amigos,
Achei esse interessante texto da Universidade do Futebol e quis publicá-lo para que possamos ter uma idéia de que um Profissional de Ed. Física com novos ideais pode chegar a Seleção Brasileira. Leiam atentamente!
Obrigado e boa semana a todos!



Juscelino buscou novos rumos políticos a partir da construção de Brasília; Mano tem a missão de reconstruir taticamente o futebol brasileiro a partir do novo selecionado nacional
Em termos numéricos, as missões de Mano e Juscelino por certo se equivalem.
Por que quarenta anos em quatro?
A Copa da Inglaterra de 1966, marco do período científico do treinamento desportivo, deu início à preparação física sistematizada no futebol mundial. O Brasil, devido à sua cultura, possuía nesta época os jogadores mais técnicos, criativos e inteligentes do planeta, porém faltava o condicionamento físico, fator determinante na conquista dos ingleses naquele ano.
Quando não se tem determinado produto, o caminho é a importação e assim fizemos. Cláudio Coutinho, profissional formado na escola de Educação Física do Exército Brasileiro foi se especializar no exterior e, juntamente com Ademildo Chirol e Carlos Alberto Parreira, deu ao selecionado brasileiro o que faltava. E em 1970, no México, fomos considerados a seleção com melhor preparo físico do Mundial, com o zagueiro Brito sendo o ícone desse período.
A partir daí, o mundo futebolístico nunca mais foi o mesmo. O europeu passou a buscar a técnica, a criatividade, a inteligência e até mesmo a ginga dos brasileiros e nós, deixando de lado nossa cultura, criamos novos paradigmas para o futebol de resultado, ou seja, “o que importa são os três pontos”; “é melhor jogar feio e ganhar”; “no futebol não existe nada mais para ser inventado”, e por aí vai...
Assim é que tem sido nas últimas quatro décadas. Enquanto alguns treinadores europeus estudaram e passaram a conhecer profundamente o jogo de futebol, nossos técnicos, a maioria ex-jogadores, continuam repetindo no dia-a-dia dos clubes métodos de treinamento cada vez mais distantes da realidade do jogo.
Evoluímos muito na área das ciências médicas e biológicas (preparação física, fisiologia, fisioterapia, ortopedia, nutrição, etc.), porém, o trabalho multidisciplinar ainda é uma utopia na maioria dos nossos clubes. Além disso, o volume de trabalho físico é infinitamente superior às outras valências. A prova dessa afirmativa esta nas pré-temporadas, intertemporadas, meio de temporada e até mesmo no selecionado brasileiro, que, ao se reunir, mesmo tendo pouco tempo para se trabalhar, treina muito mais as capacidades físicas do que o modelo de jogo propriamente dito.
Diante de tudo isso, a Copa de 2010 serviu para nos mostrar que, definitivamente, apenas a qualidade individual do futebolista brasileiro e um trabalho que tem a capacidade física com o epicentro da periodização não são mais suficientes para vencer esta competição, visto que tecnicamente o jogador dos grandes centros da Europa evoluiu bastante, além do que, mentalmente, têm demonstrado que estão muito mais preparados do que os brasileiros.
Seleções como Alemanha e Espanha apresentaram um futebol coletivo e solidário, onde ficou nítido o conhecimento do jogo por parte dos treinadores e como estes são capazes de transmitir aos seus jogadores esse entendimento. Vimos claramente nessas duas equipes os quatro momentos do jogo, ou seja, organização defensiva, transição ataque-defesa, organização ofensiva e transição defesa-ataque.
A equipe espanhola deu verdadeiras aulas de futebol bem jogado. Mesmo nos momentos difíceis, mostrou-se fiel ao seu modelo de jogo, como ficou evidenciado no jogo da estreia, quando foi derrotada pela Suíça.
Os princípios fundamentais de ataque como manutenção da posse da bola, progressão da equipe e da bola em direção ao campo adversário e as finalizações, foram contemplados nos seus sete jogos durante o torneio.
Os princípios operacionais de defesa, ou seja, impedir ou dificultar a progressão da bola e da equipe em direção à sua baliza, impedir ou dificultar as finalizações do adversário e retomar a posse da bola foram pontuais.
Nas transições defensivas tivemos o privilégio, ao assistir os jogos dessa seleção, de ver uma forte reação à perda da bola, uma marcação pressing zonal, dobras de marcação, etc.
Nas transições ofensivas foi fácil, para quem tem conhecimento do jogo, enxergar as tomadas de decisões dos jogadores, tendo como parâmetro as situações que lhes eram apresentadas no momento. A primeira opção era, sempre que possível, verticalizar o jogo avançando em direção à baliza adversária em busca da finalização. Se a leitura coletiva do jogo mostrasse ao grupo de jogadores que essa opção não era viável para o momento, imediatamente uma segunda atitude era posta em prática, ou seja, a retirada da bola da zona de conflito, que a princípio era feita horizontalmente. Entretanto, se a circunstância de jogo não permitisse essa retirada horizontal da bola, a medida adotada era o recuo desta, até mesmo na direção do goleiro, buscando entrar numa situação de jogo organizado com posse e circulação da bola.
Como posto anteriormente, conhecer a fundo o jogo de futebol é fator determinante para quem deseja obter êxito no mundo futebolístico de alta performance e o que temos observado no futebol brasileiro é que boa parte dos nossos treinadores desconhecem até mesmo questões básicas do jogo, por isso não são capazes de transmitir aos seus comandados princípios fundamentais que regem o jogo, principalmente em nível coletivo. Esta situação não apresenta grande repercussão nos nossos campeonatos internos, porém quando nos defrontamos com equipes qualificadas internacionalmente, nossas chances de vitória ficam reduzidas apenas à individualidade dos nossos jogadores e não precisamos nos esforçar muito para perceber que nos últimos tempos tem sido cada vez mais escasso esse tipo de situação.
Precisamos mudar o cenário. Esta é a ordem que vem de cima. Que vem justamente daqueles que deveriam ser os primeiros a promover uma mudança radical na estrutura do nosso futebol.
Esqueça, caro leitor! Essa mudança ficará para uma próxima oportunidade!
Mas de qualquer forma, esta aí, um fio de esperança na figura do novo treinador do selecionado brasileiro. Que dificuldade!
Até nesse momento,demonstramos que o nosso conhecimento do jogo é deveras limitado. Falou-se muito em Felipão. Um técnico sem mercado no cenário europeu. E o Muricy
Parabéns pela ética! E graças a Deus que ele não aceitou. Já pensou mais quatro anos “zangado”? E fomos para a terceira opção...
É aí que voltamos ao questionamento do início do texto. O que tem haver Mano Menezes com Juscelino Kubitchek?
Juscelino foi um vitorioso, construiu em torno de si uma aura de simpatia e confiança entre os brasileiros. Com seu estilo inovador, construiu Brasília e deixou um legado político para as futuras gerações. Foi considerado o melhor presidente que o Brasil já teve, por sua habilidade política, por suas realizações e pelo seu respeito às instituições democráticas.
Esperamos que Mano Meneses também seja um vitorioso, que conheça o jogo de futebol na sua essência, que seu estilo também seja inovador e que ele tenha conhecimento suficiente para promover o desenvolvimento do nosso futebol, assim como fez Juscelino e seus colaboradores quando lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento, também chamado de plano de meta, com o célebre lema “Cinqüenta anos em cinco”.
Entendemos que esse é o momento de modernizar e lançar o plano de metas para o mundial de 2014, cujo lema poderá ser “Quarenta anos em quatro”, já que em termos táticos nosso futebol encontra-se bastante defasado. Esperamos que Mano Menezes possa colocar em prática novas metodologias de treinamento, assim como tem feito alguns poucos técnicos do futebol mundial, dentre eles Pepe Guardiola e José Mourinho, atual campeão da Liga dos Campeões.
Que Mano tenha coragem suficiente para quebrar velhos paradigmas e quem sabe possa colocar em seu staff técnico alguém com vasto conhecimento sobre o jogo de futebol; do contrário, corremos um sério risco de, a exemplo de 1950, protagonizarmos mais um vexame futebolístico no Brasil.


*Walério Melo é professor de Educação Física com especialização em Metodologia da Aprendizagem e treinamento do Futebol e Futsal

*Texto retirado da: www.universidadedofutebol.com.br

Pega-Pega Americano

Olá Amigos,

Tudo bem?

Faz algum tempo que não escrevo nada por aqui, primeiro por falta de tempo, segundo estava sem criatividade e hoje com um pouco de folga resolvi atualizar os artigos aqui.
O título acima não diz muita coisa mas hoje, justamente hoje acabei criando uma atividade muito simples que a "garotada" do sub13 adorou e encaixou muito com o que tenho trabalhado com eles.
Por ser muito simples, ninguém da valor mas ela é imprescindível pois vemos muitos jogadores atualmente sem base técnica nenhuma.
Todos nós conhecemos o famoso "pega-pega americano", aquela brincadeira que as crianças adoram e muitos ficam até chateados por se tornarem pegadores. Essa atividade consistem em um pegador, vários jogadores fugindo para não serem pegos. A cada momento que um é pego, ele acaba que ficando imóvel com as pernas afastadas e o outro para "salvá-lo" precisa passar por entre as pernas dele. E por ai vai, vamos variando.. certo?
No que acabei mudando essa atividade tão simples, mas ao mesmo tempo interessante. Um aluno deu a idéia de colocarmos a bola no meio, partindo sempre da primeira idéia descrita acima, um pegador, varios fugindo e cada vez que um fosse pego para salvá-lo, o companheiro deveria passar pelo meio do campo "conduzir" a bola e passá-la por entre as pernas do jogador "imóvel" para que este pudesse voltar ao jogo, logo em seguida, este deveria "conduzi-la" novamente ao centro do campo e assim sucessivamente. Variando da seguinte forma: o pegador "roubando" a bola de quem tentasse salvar o jogador imovel (1x1), quem perdesse a posse da bola se tornaria o pegador; o jogador que tentasse salvar o outro poderia passar a bola (passe, condução de bola, 2x1, etc), dois pegadores (2x2, 3x2..); o jogador necessitaria se deslocar para receber a bola, etc.
Finalizando, essa atividade tão simples resultou em muitas variaveis e multiplas situaçoes de jogo juntamente com fundamentos técnicos usados pelos alunos.